O blog "Esquinas da Imagem" recebe a ilustríssima contribuição da professora Georgia Quintas (de Teorias da Imagem e Antropologia Visual) em três textos que foram publicados no Jornal do Commercio e no suplemento Pernambuco, do Diário Oficial.
Contribuições são sempre bem-vindas!
Boa leitura
domingo, 16 de março de 2008
Fotografia e Memória
Georgia Quintas*
Texto publicado no Jornal do Commercio
Poucos pensam sobre isso, mas a fotografia é tácita na vida de todos. Em nossas lembranças mais longínquas, em nossas histórias familiares e na formação da memória. A imagem fotográfica restitui narrativas emocionais, contempla a atmosfera de tempos passados e nos envolve em sua complacência de guardar o efêmero da vida para futuros enternecidos observadores. As sensações resultantes ante um documento fotográfico nos remetem a uma realidade a ser examinada delicadamente. Nesse sentido, não é a razão que rege o interesse pela fotografia. E sim, a sensibilidade do instinto que direciona o olhar.
Através da produção de corriqueiros registros fotográficos familiares, alguns dos status mais importantes que a fotografia possui se refletem, ou seja: de papel cultural e de preservação da memória. De modo que será nos álbuns das famílias contemporâneas que gerações futuras conhecerão valores, costumes e símbolos sociais de determinada sociedade e seu contexto cultural.
O registro visual da vida privada - a princípio, fonte de interesse apenas do núcleo familiar retratado - é um valioso material iconográfico que cada um de nós constrói inconscientemente e que configura a nossa memória social. Assim, a fotografia, enquanto fonte primária de investigação, nos revela sua profícua e ampla latitude de significados e representações. Digamos que se trata da alteridade por excelência. Conhecer o outro retratado (seja qual for o indivíduo em foco) não é somente tentarmos apreender o passado, mas, sobretudo, vislumbrarmos traços que ajudem a entender a nós mesmos, nossa identidade e as sutilezas de como nos apresentávamos ao mundo (plasmada em representações e idealizações de outrora).
Particularmente, a linguagem fotográfica sempre esteve no centro de minhas pesquisas, enquanto fonte de memória, significados sociais e suporte de poéticas visuais. Graças ao legado dos retratos de família, durante alguns anos, meu "olhar" esteve dedicado a fotografias da aristocracia canavieira de Pernambuco do século XIX e princípios do XX. Após debruçar-me para fazer um mapeamento minucioso no acervo da Coleção Francisco Rodrigues, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), informações visuais significativas foram analisadas, decifradas e decodificadas com o objetivo de recompor, como alguns autores denominam, a "civilização do açúcar" - período fundamental na formação da identidade brasileira.
Discutir, refletir e apreender a sintaxe da imagem faz parte de minha trajetória nesta busca mágica de compreender os sentidos que o ato fotográfico deflagra. E assim neste caminho, resultou a tese de Doutorado "Imágenes del Pasado: Un Análisis Interpretativo desde la Perspectiva de la Antropología Visual. Los retratos de la sociedad agraria aristocrática de Pernambuco", que defendi na Universidade de Salamanca (Espanha).
A partir de uma análise sócio-cultural da iconografia pesquisada, remontei narrativas simbólicas e pautas sociais determinantes para a aristocracia canavieira. De maneira que abordei as representações visuais e conseqüentemente seus valores sociais * verdadeiros índices, quanto a questões de parentesco, gênero, cânones morais, religiosidade, costumes e relações interétnicas. Entretanto, ao discutir sobre identidade (algo indelével aos retratos), se observa a alteridade entre dominantes (senhores de engenho) e dominados (escravos); de como se constrói a imagem do outro e portanto como os paradigmas estéticos são elaborados enquanto mecanismo de distinção social, como também expressão de poder e ideologia.
A consciência de preservar estas imagens do passado, através do empenho em colecionar retratos de famílias da sociedade canavieira, deve ser creditada ao dentista pernambucano Augusto Rodrigues, que em 1927 iniciou seu acervo. Já o seu filho, o também dentista Francisco Rodrigues, foi o responsável em continuar o sonho paterno. Neste ponto, voltamos ao raciocínio anterior: somos nós que produzimos a memória social de determinada sociedade e época. E aos que têm a devoção de colecionar, ou mesmo, de guardar fotografias, devemos a existência desta memória visual, sem a qual não teríamos surpreendente patrimônio e a possibilidade de retomá-la em nossos tempos.
Georgia Quintas é doutora em Antropologia pela Universidade de Salamanca (Espanha) e professora do curso de Bacharelado em Fotografia das Faculdades Integradas Barros Melo.
Texto publicado no Jornal do Commercio
Poucos pensam sobre isso, mas a fotografia é tácita na vida de todos. Em nossas lembranças mais longínquas, em nossas histórias familiares e na formação da memória. A imagem fotográfica restitui narrativas emocionais, contempla a atmosfera de tempos passados e nos envolve em sua complacência de guardar o efêmero da vida para futuros enternecidos observadores. As sensações resultantes ante um documento fotográfico nos remetem a uma realidade a ser examinada delicadamente. Nesse sentido, não é a razão que rege o interesse pela fotografia. E sim, a sensibilidade do instinto que direciona o olhar.
Através da produção de corriqueiros registros fotográficos familiares, alguns dos status mais importantes que a fotografia possui se refletem, ou seja: de papel cultural e de preservação da memória. De modo que será nos álbuns das famílias contemporâneas que gerações futuras conhecerão valores, costumes e símbolos sociais de determinada sociedade e seu contexto cultural.
O registro visual da vida privada - a princípio, fonte de interesse apenas do núcleo familiar retratado - é um valioso material iconográfico que cada um de nós constrói inconscientemente e que configura a nossa memória social. Assim, a fotografia, enquanto fonte primária de investigação, nos revela sua profícua e ampla latitude de significados e representações. Digamos que se trata da alteridade por excelência. Conhecer o outro retratado (seja qual for o indivíduo em foco) não é somente tentarmos apreender o passado, mas, sobretudo, vislumbrarmos traços que ajudem a entender a nós mesmos, nossa identidade e as sutilezas de como nos apresentávamos ao mundo (plasmada em representações e idealizações de outrora).
Particularmente, a linguagem fotográfica sempre esteve no centro de minhas pesquisas, enquanto fonte de memória, significados sociais e suporte de poéticas visuais. Graças ao legado dos retratos de família, durante alguns anos, meu "olhar" esteve dedicado a fotografias da aristocracia canavieira de Pernambuco do século XIX e princípios do XX. Após debruçar-me para fazer um mapeamento minucioso no acervo da Coleção Francisco Rodrigues, da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), informações visuais significativas foram analisadas, decifradas e decodificadas com o objetivo de recompor, como alguns autores denominam, a "civilização do açúcar" - período fundamental na formação da identidade brasileira.
Discutir, refletir e apreender a sintaxe da imagem faz parte de minha trajetória nesta busca mágica de compreender os sentidos que o ato fotográfico deflagra. E assim neste caminho, resultou a tese de Doutorado "Imágenes del Pasado: Un Análisis Interpretativo desde la Perspectiva de la Antropología Visual. Los retratos de la sociedad agraria aristocrática de Pernambuco", que defendi na Universidade de Salamanca (Espanha).
A partir de uma análise sócio-cultural da iconografia pesquisada, remontei narrativas simbólicas e pautas sociais determinantes para a aristocracia canavieira. De maneira que abordei as representações visuais e conseqüentemente seus valores sociais * verdadeiros índices, quanto a questões de parentesco, gênero, cânones morais, religiosidade, costumes e relações interétnicas. Entretanto, ao discutir sobre identidade (algo indelével aos retratos), se observa a alteridade entre dominantes (senhores de engenho) e dominados (escravos); de como se constrói a imagem do outro e portanto como os paradigmas estéticos são elaborados enquanto mecanismo de distinção social, como também expressão de poder e ideologia.
A consciência de preservar estas imagens do passado, através do empenho em colecionar retratos de famílias da sociedade canavieira, deve ser creditada ao dentista pernambucano Augusto Rodrigues, que em 1927 iniciou seu acervo. Já o seu filho, o também dentista Francisco Rodrigues, foi o responsável em continuar o sonho paterno. Neste ponto, voltamos ao raciocínio anterior: somos nós que produzimos a memória social de determinada sociedade e época. E aos que têm a devoção de colecionar, ou mesmo, de guardar fotografias, devemos a existência desta memória visual, sem a qual não teríamos surpreendente patrimônio e a possibilidade de retomá-la em nossos tempos.
Georgia Quintas é doutora em Antropologia pela Universidade de Salamanca (Espanha) e professora do curso de Bacharelado em Fotografia das Faculdades Integradas Barros Melo.
A imagem de fora e de dentro
Instalação "Face Hands"Georgia Quintas*
Texto publicado no suplemento Pernambuco
Nem sempre o que acreditamos ser uma simples questão de aparência e vaidade, é algo tão superficial ou frívolo. É certo que, atualmente, com este mundo acachapante das celebridades, não é difícil considerar que o registro fotográfico tornou a individualização da pessoa retratada tão banal que vemos, gradativamente, a construção da imagem de um indivíduo-objeto. E o que vem à mente é apenas vaidade, vaidade, pura vaidade. Estabelece-se assim, a necessidade da aparência de alguns que alimentam a curiosidade de outros. E nada preenche nada. A imagem passa a ter um silêncio, um vazio, apenas a performance rasa de um “eu” sem nenhum significado. E tudo se torna descartável através de um apelo efêmero, através de instantes (consentidos ou não) de fragmentos da vida plasmada como espetáculo.
Entretanto, a percepção sobre o outro é uma troca social, um mundo simbólico que remete a valores culturais entre quem é retratado e quem o observa. Paralelamente aos novos caminhos que a fotografia contemporânea traça esteticamente e conceitualmente, a natureza primária de identidade inerente à fotografia ainda sobrevive em seu status de registro social de determinada sociedade e época. Podemos dizer que a fotografia é um suporte hegemônico, desde seu advento no século XIX, no qual as pessoas se tornam atores sociais, legitimam sua estratificação econômica, demonstram suas relações de poder e delimitam seu espaço de representatividade na sociedade.
Durante uma semana, me detive em analisar as fotografias das colunas sociais dos jornais locais. E o que poderia ser apenas uma percepção de retratos corriqueiras em eventos sociais, não se esgotou no conceito de que muitos - inevitavelmente com certo ranço e algum preconceito -, consideram de autopromoção ou exibicionismo. Na verdade, é inexorável o propósito de tais imagens em tornar algo público e visível. A aparência é tangível, agrega símbolos de status, muitas vezes indicados na maneira de vestir-se, ao usar jóias ou mesmo ao estar em um ambiente que denote o seu prestígio e sua capacidade de transitar em lugares seletos, refinados, enfim distintos dos “lugares-comuns”.
No entanto, a coluna social representa um segmento jornalístico que efetivamente tem um papel importante e catalisador das convenções e pautas sociais. Nesse sentido, o registro fotográfico nos leva ao passado, revela caminhos já explorados que só nos afirmam a certeza de quem somos. E assim, ao observar imagens de mulheres elegantes, sofisticadas e de homens, por sua vez, sublinhando algum contexto econômico ou de negócios, encontrei sobrenomes que se repetiam nas respectivas colunas. Sobrenomes, neste caso, têm uma carga simbólica representativa sobre o que a fotografia pode nos oferecer enquanto palco de representação da vida social.
O que ocorre no colunismo social é apenas um reflexo (e aqui, não discuto a importância e o mérito deste segmento jornalístico) da relação intrincada entre fotografia e sociedade. Temos que partir do princípio que nada é tão superficial que margeia o sentido da ingenuidade. A história da fotografia atesta que a sociedade utiliza o registro fotográfico como um mecanismo efetivo de comunicação, de modo que os indivíduos se apropriam da imagem e criam seu repertório estético para transmitir suas “intenções” e seus “desejos” ante os outros. Tudo é um palco, uma encenação da realidade, uma metalinguagem da vida pela perspectiva da idealização. Parece um pouco confuso e dúbio, mas assim é a imagem. Não tão real, não tão sincera. Um pouco manipulada, passível de várias leituras e algumas relativizações.
Sobre a fotografia como documento social, a autora e fotógrafa alemã Gisèle Freund, enfatiza que a imagem fotográfica possui a amplitude de expressar as necessidades das classes sociais dominantes e de interpretar à sua maneira os acontecimentos da vida social. Mas ela, sobretudo, expõe o ponto nevrálgico da ontologia - seja de que tipo for o retrato -, da imagem fotográfica, e nos pilha: a imagem responde à necessidade cada vez mais urgente no homem de dar uma expressão a sua individualidade.
Diria que o fluxo das imagens traz os resquícios da sociedade aristocrática da cana-de-açúcar de Pernambuco. Numa espécie de sopro, sentimos a atmosfera das elites... Nas legendas, se constata a procissão de nomes de famílias tradicionais de uma época que nos remonta facilmente à formação de nossa identidade agrária - tão cheia de contrastes sociais e de relações interétnicas. Tal contexto nos remete a fotografia do século XIX, especialmente os retratos de família. A reunião de imagens fotográficas, produzidas naquela época e ordenadas em preciosos álbuns, era o “livro” consentido da história de cada núcleo familiar. Neles, povoavam personagens que nasciam, cresciam, casavam-se, viajavam, iam à guerra, tornavam-se republicanos, abolicionistas ou conservadores. Ainda através dos retratos, cultuavam-se seus mortos, celebravam grandes datas (casamentos, batismos, primeira comunhão), enfim coisas da vida, ritos de todos nós. Nestas imagens antigas, se compreende que a técnica fotográfica estava a serviço da elite agrária. A fotografia, não tão popular por fatores econômicos ao consumo de classes sociais mais pobres, se converteu na vitrine desejada de legitimação da posição social daquele grupo cujo poder, riqueza e prestígio tinha sua própria ideologia. Desse modo, o visitante ao entrar na sala de uma casa-grande ou de um sobrado encontrava o tal álbum de fotografias para “casualmente” conhecer quem eram os retratados e, claro, de acordo, como queriam ser reconhecidos em todo seu esplendor e riqueza.
Através do jornal, ainda somos personagens desta realidade imagética da vida social que se descortina diariamente. Representamos o objetivo final daqueles mesmos álbuns de família, somos o alvo. Acompanhamos aniversários, casamentos, fatos marcantes da vida de pessoas que não conhecemos, mas que pelo hábito da leitura e do olhar, já as reconhecemos devido à freqüência com que vemos seus retratos. Ainda somos os receptores, os observadores tão desejados para que tais fotos tenham algum sentido. O certo é que se trata de um espaço no qual uma parte da sociedade é documentada, o que coloca a fotografia como instrumento de percepção e interpretação para o leitor. Desta maneira, dependendo de como você encare o colunismo social ele poderá ter duas perspectivas. Uma primeira, espécie de vitrine, da qual muitos alimentam a pueril curiosidade de quem é visto e de quem vê. Ou então, tentar transcender o banal das aparências, buscar razões e refletir sobre os significados sociais que produz o que vemos. E vale repensar no que disse na primeira frase deste texto; agora, ela poderá fazer algum sentido. Ou seja, resta escolher qual das imagens pode nos “alimentar”: a de dentro ou a de fora... E assim, perceber um pouco de nossa alma, nossa história e nossa identidade.
* Antropóloga e professora do curso de Bacharelado em Fotografia das Faculdades Integradas Barros Melo (AESO)
Os Sentidos da Fotografia
Foto de Rodrigo BragaGeorgia Quintas*
Texto publicado no Jornal do Commercio
A fotografia é um campo profícuo para reflexões e debates. Nesse sentido, para aplacar nossa carência, tivemos uma significativa oportunidade com a 1ª Semana de Fotografia do Recife. Através desta iniciativa foi possível interagir com a produção fotográfica local e comungar algumas inflexões com profissionais atuantes em vertentes distintas da fotografia contemporânea. Foi uma chance de conhecer novos olhares e pensar a respeito do panorama atual da fotografia.
Outro ponto relevante a ser considerado diz respeito à formação de profissionais nesta área com a criação do curso de graduação em fotografia da Faculdade Barros Melo (Aeso). A imagem fotográfica como área de conhecimento (aqui ampliamos a percepção para além do fazer fotográfico) proporciona um vasto campo de investigações. Seja como documento social ou expressão artística, o registro fotográfico propõe, remete e indica caminhos e alteridades que merecem ser objeto de estudo, pesquisa, leituras e análises. A formação com base humanista não só acrescenta consciência quanto ao ato fotográfico como amplia perspectivas mais reflexivas * em contraponto à cansativa banalização do registro fotográfico.
Há muito, a fotografia contemporânea transcendeu alguns dos seus pressupostos epistemológicos que lhe postulavam, enquanto suporte, a veracidade do registro e sua importância como estatuto de captura dos códigos do real. Ao longo da historiografia da imagem fotográfica, se observa que tais barreiras foram suplantadas, o que permitiu que novas perspectivas pudessem formular leituras e olhares subjugando o signo aparente. As coisas subverteram-se e o objeto a ser fotografado já não estava a serviço do simples reflexo da realidade, de uma leitura puramente pela identidade ou por seu reconhecimento. Com efeito, é na diversidade de abordagens, na expansão das possibilidades da técnica como elemento agregador de conceitos, idéias, sensibilidades e subjetivismo que reside o infindável encanto pela dualidade, que a fotografia detém, de mistério e encantamento.
Muitos ainda podem partilhar do depoimento que o fotógrafo Ansel Adams discorreu sobre a beleza na fotografia como sendo uma "expressão plena daquilo que sentimos com relação ao que estejamos fotografando no seu sentido mais profundo e é, em conseqüência, a expressão verdadeira do que sentimos com respeito à vida como um todo".
Na realidade, a facilidade que os tempos e suas tecnologias trouxeram ao "fazer fotográfico" em muito banalizou o suporte. De modo que as narrativas visuais se tornaram, em certos casos, superficiais, infantis, rasas, sem estofo (vale mencionar que um exemplo oposto a esta tendência é a arrebatadora produção do artista Rodrigo Braga). A criação fotográfica plasmada no cenário contemporâneo nos faz refletir que os três elementos substanciais da semiótica (ou seja, o ícone, o índice e o símbolo), cada vez mais, "dialogam" com a noção de que a fotografia vai além de seu status de explicação. A fotografia possui uma poética visual que não sentencia e tampouco delimita suas margens. Como bem resumiu Susan Sontag, a fotografia nada mais é que um convite inexaurível à dedução, à especulação e à fantasia.
Nesse sentido, a imagem fotográfica se estabelece no âmbito das artes plásticas como ferramenta de poéticas e proposições conceituais. A imagem passou a conjugar vários sentidos e sensações. Entretanto, a perspectiva fotográfica enquanto conhecimento é muito mais complexa e requer reflexão sobre o seu passado e suas origens. Decifrar imagens envolve interpretar representações e, sobretudo, recompor seus significados, seu contexto cultural, a mentalidade de uma época, a vivência criativa do fotógrafo, entre outros aspectos. Qualquer oportunidade que se tenha, para apreender a fotografia como imagem construída, será essencial. Mais precisamente, será o começo de uma desconstrução formal que nos envolverá em muitos sentidos e experiências estéticas. Seria como apagássemos os clichês de nossa memória e encontrássemos novos mundos em outros olhares.
* Antropóloga e professora do curso de Bacharelado em Fotografia das Faculdades Integradas Barros Melo (AESO)
Sobre coragem e covardia

Filme sobre o mito de Jesse James, com Brad Pitt, é cartaz da Sessão de Arte
Thiago Soares
Antes de qualquer coisa: o filme “O Assassinato de Jasse James Pelo Covarde Robert Ford” já está disponível em DVD. No entanto, mesmo sendo esta a primeira informação deste texto, é inegável fazer uma convocação a se assistir a esta obra no cinema. É daqueles filmes maginificamente fotografados, com planos que são verdadeiros desbundes visuais e aquela noção de tempo mais como uma espacialidade que propriamente como uma sucessão temporal. Está em cartaz da Sessão de Arte, hoje, no Multiplex UCI Tacaruna e, na próxima semana, entre o Boa Vista e o Recife.
A gente começa comentando “O Assassinato de Jesse James...” pela fotografia porque, justamente, é este artefato que faz com que a obra seja tão interessante de ser “degustada” na grande tela. O diretor de fotografia Roger Deakins (o mesmo de “Onde os Fracos Não Têm Vez”) cria um ambiente visual de tensão a partir de dois dispositivos: o contraste entre os planos abertos (muito céu, planícies, aquelas imagens típicas de um faroeste) e os fechados (cenas em internas, planos nos rostos, uma narrativa íntima e pessoal); além da pregnância de uma relação entre as cartelas de cores e o preto (enquanto o mundo é colorido, os personagens insistem em se vestir de preto).
Esta parece ser a tradução do que se pode considerar a excelência de um discurso visual sobre uma narrativa: temos aqui a história do assassinato de um mito (o “Robin Hood” do faroeste, Jesse James, vivido por Brad Pitt) e a obsessão de um homem por este mito (o Robert Ford, aqui interpretado por Casey Aflleck, irmão de Ben e indicado ao Oscar de ator coadjuvante neste ano).
Como na “Crônica de Uma Morte Anunciada”, de Gabriel García Marquez, aqui, também já sabemos que uma morte é o “mote” narrativo. Por isso, a orientação do filme vai compondo partículas estéticas que dão escopo à relação com a morte. Não à toa, quase todos os personagens trajam preto, têm tom fúnebre, como numa antecipação da idéia de que a morte ronda, está impregnada em cada cena.
Nos muitos silêncios a que o personagem Jesse James é submetido, vemos um Brad Pitt à deriva, de olhar perdido, evocando a idéia de que quando a morte se aproxima, a gente sente – o calafrio, o susto, a expectativa – e impossível não lembrar de “O Sétimo Selo”, de Bergman (numa visão muito mais simbolista que o realismo deste filme). "O Assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford" é chamado de “western cult”, talvez por se preocupar muito mais com as relações que surgem entre suas figuras centrais do que com os tiroteios e balas (como no recente “Os Indomáveis”). O tom aqui é melancólico e vemos dois homens em confronto: de um lado, Jesse James, assombrado por fantasmas reais de sua coragem e de seu medo; e Robert Ford, consumido por sua covardia transformada em inveja e desejo de mitificação. O duelo não utiliza armas nem tiros. E não há vencedores.
segunda-feira, 10 de março de 2008
Fotografia pernambucana perde Nerivanha Bezerra
A fotografia pernambucana perdeu, no último domingo (09/03), a professora e teórica Nerivanha Bezerra, da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). Doutora em Fotografia pela Escola de Belas Artes da Universidade de Barcelona, Nerivanha dedicou grande parte de seus estudos a mapear a relação entre fotografia e representação social. Um dos seus estudos mais representativos chama-se "Representações em Imagens Equivalentes" e pode ser lido no link abaixo:
http://www.bocc.ubi.pt/pag/lima-claudia-imagens-equivalentes.pdf
http://www.bocc.ubi.pt/pag/lima-claudia-imagens-equivalentes.pdf
quinta-feira, 6 de março de 2008
Arte e Crime: Insubordinações (Expô, oficinas, performances)
Atenção, alunos, a participação com certificado ou atestado em algumas das atividades deste seminário, pode contar com horas das atividades complementares.

O cenário das artes plásticas ganha mais um espaço de discussão e reflexão sobre a prática artística contemporânea realizada no País. É o seminário "Arte e Crime: Insubordinações", que acontece entre os dias 10 e 15 deste mês, com atividades como palestras, debates, oficinas e ações performáticas divididas entre vários espaços como a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj-Derby), Centro de Artes Visuais (CEFAV), Instituto de Arte Contemporânea (IAC) e Museu Murilo La Greca.
O seminário tem como foco obras e ações artísticas que, devido ao seu caráter crítico, político e transgressor, situam-se no limite da ilegalidade, como nudez em praça pública ou mesmo o uso de substâncias ilícitas. Um caso bastante conhecido, por exemplo, é o da artista plástica Jac Leirner, que quase foi processada, por se apropriar de lembrancinhas levadas de aviões como copos, talheres, guardanapos, cobertores, travesseiros, sacos para enjôo, fones de ouvido e cinzeiros de várias companhias aéreas em que voou. Os objetos foram matéria para a série "Corpus Delicti (1987-1993)", em que mostrava uma coleção de objetos gastos pelo uso cotidiano. Ela, inclusive, estará aqui como uma das convidadas do evento.
O seminário abordará obras e ações que terminam por legitimar atos socialmente considerados ilegais, principalmente da produção influenciada por parcela da produção de artistas das décadas de 1960 e 1970, que vem ganhando relevância desde meados de 1990. Neste cenário, inclui-se ainda a utilização das novas tecnologias para introduzir diferentes formas de circulação de conteúdo artístico, ou para se aproximarem de questões políticas e sociais, numa mescla de arte e ativismo político.
O evento proporcionará um encontro de profissionais de diversos estados do Brasil com intuito de enriquecer o debate sobre estas práticas da expressão artística. Entre os convidados, a presença do advogado Ronaldo Lemos (representante brasileiro da nova licença para direitos autorais, o Creative Commons); da pesquisadora e curadora Daniela Labra, e dos artistas plásticos Paulo Bruscky, Graziela Kunsch e Marcelo Cidade. O "Arte e Crime" se propõe ainda a não só estabelecer uma troca entre estes profissionais, como possibilitar a interação entre eles e o público local, visando abarcar pontos de vista e experiências diversas, movimentando assim a produção, formação e difusão das artes no Recife.
Nesse sentido, na mesa de debates, assuntos como direitos autorais, re-apropriações, ativismos e vandalismos sociais, plágio e pirataria estarão esquentando a discussão. Entre os temas, "Arte, substâncias e atos ilícitos"; "Transgressão possível. O que significa transgredir hoje?" e "Pirataria, plágio, direitos autorais: a tecnologia e desvios das normas (re) produtivas no campo artístico". Entre as ações de performances, a artista plástica Flávia Giroflay levará para o IAC suas peças adquiridas em feiras de troca-troca como a de Peixinhos e Água Fria (famosas pelo comércio de produtos roubados), que serão dispostos para serem furtados. Na sala, uma câmera de circuito interno transmite e registra as imagens-roubos em um monitor disposto do lado de fora. Furtos em tempo real, um atestado de bom ladrão. Faz parte da exposição um “roubo artístico” surpresa. Rouba aqui...furta ali... é roubado...tem cem anos de perdão!
O projeto Arte e Crime foi aprovado pelo Edital Conexão Contemporânea da FUNARTE/Ministério da Cultura, com patrocínio da Petrobras (por meio do edital – entre 286 projetos enviados, 36 foram aprovados. Destes, apenas quatro do Estado), com co-patrocíno da Prefeitura da Cidade do Recife, por meio da Fundação de Cultura e apoio da Fundaj e Governo do Estado de Pernambuco.
Confira a programação:
PALESTRAS E DEBATES:
Loca: Fundação Joaquim Nabuco
Horário : 19h
Endereço : Rua Henrique Dias, 609 - Derby - Recife – PE
as inscrições antecipadas podem ser feitas no 3073-6692, com Edmundo
10/ 03 - MESA 1 - ARTE E CRIME: INSUBORDINAÇÕES NOS ANOS 60 E 70
Com Cauê Alves/Paulo Bruscky
Mediação: Luisa Duarte
Cauê Alves - Formado em Filosofia pela FFLCH-USP, onde defendeu mestrado e atualmente desenvolve pesquisa de doutorando. Foi professor de filosofia e história da arte da Universidade Cidade de São Paulo (2003-2004). Atualmente é professor de história da arte do curso de arquitetura e urbanismo da Escola da Cidade e docente da Faculdade de Comunicação da FAAP. É membro do Corpo Editorial da Revista Número, curador do Clube da Gravura do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foi colunista da revista mensal Bien’art (2005- 2007), membro do Conselho Consultivo de Artes do MAM-SP (2005-2007), um dos curadores da exposição "MAM[na]OCA: arte brasileira do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo" (2006-2007) e curador de "Quase líquido", Itaú Cultural (2008).
Paulo Bruscky - Artista voltado, desde os anos 70, para as ações da vanguarda e do experimentalismo. Realizou diversas mostras individuais no Brasil e no exterior e teve sala especial na 26º Bienal de São Paulo – São Paulo/SP – 2004. Foi curador de diversas mostras no Brasil e no exterior. Possui importante acervo documental acerca das vanguardas artísticas do pós-guerra, incluindo trabalhos originais do Grupo Fluxus e Gutai (Japão), tendo mantido correspondência regular com alguns de seus membros. Em 1981 recebe a Bolsa Guggenheim de Artes Visuais, residindo por um ano em Nova Iorque. Suas experiências com arte-correio, vídeo arte, artdoor e xerografia/faxarte são pioneiras dentro das discussões sobre a utilização de novos meios na arte brasileira.
11/03 - MESA 2 - ARTE, SUBSTÂNCIAS E ATOS ILÍCITOS
Marcelo Cidade/Jac Leirner/Moacir dos Anjos
Mediação: Daniela Labra
Jac Leirner - Formada em Licenciatura Plena/BFA em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo em 1984 . Foi Professora instrutora na Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo de 1987 à 1989 . Fez residência como : Artista convidado/visiting Fellow no University College, Oxford, Artista convidado na Ruskin School of Drawing and Fine Arts da Universidade de Oxford, 1991 . Realizou exposições individuais no Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil / 2006 ; No Centre d'Art de Saint Nazaire, Saint Nazaire, França/ 'Little Lights' 2005; No Miami Art Museum, Miami, EUA 'Adhesive 44' 2005; e No Centro Cultural Banco do Brasil, 'Jac Leirner - Ad Infinitum', Rio de Janeiro, Brasil/2002. Participou de várias coletivas como : 'Quinta Bienal do Mercosul', Porto Alegre,2005; 'Museum as Subjects', The National Museum of Art, Osaka, Japão / 2001'Documenta IX', Kassel/1992 ; 'Aperto 90’, XLVII Bienal de Veneza, 1990 . Em 2001 foi agraciada com a bolsa da Fundação John Simon Guggenheim, Nova York.
Marcelo Cidade - Nasceu em São Paulo em 1979. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Formado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado. O ambiente urbano e o sistema das artes são focos dos trabalhos do artista que realiza pixações, pinturas, performances, fotos e vídeos. Em "Fuzilamento", o artista nu leu uma lista de nomes de revoluções político-sociais enquanto era alvejado por pedaços de cimento pelo público. Numa outra performance, passou num triturador de papel as páginas do livro "A arte moderna", do historiador italiano Giulio Carlo Argan. "Processos de acinzentamento" apresenta um passeio do artista por instituições de arte carregando uma mochila furada que despejava cimento por todo o percurso.
Moacir dos Anjos - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, desde 1990. Diretor geral do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), do Recife (2001-2006). Dentre as exposições recentes de que participou como curador incluem-se: Contraditório. Panorama da Arte Brasileira (2007), no Museu de Arte Moderna de São Paulo; Zona Franca (2007), na Bienal do Mercosul, Porto Alegre; Marcas – Efrain Almeida (2007), na Estação Pinacoteca, São Paulo; Geração da Virada (2006), no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (co-curador: Agnaldo Farias); Rosângela Rennó (2006), no Mamam, Recife; Babel – Cildo Meireles (2006), na Estação Pinacoteca, São Paulo e José Pedro Croft (2006), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Tem ensaios sobre história e teoria da arte e textos críticos sobre artistas publicados em livros, catálogos e revistas. É autor de Local/Global: arte em trânsito (Rio de Janeiro: Zahar, 2005)
12/03 - MESA 3 - ATIVISMO, VANDALISMO, COLETIVOS E OCUPAÇÕES: ARTE E PERSPECTIVAS POLÍTICO-SOCIAIS
Graziela Kunsch / Paulinho do Amparo
Mediação: Daniela Labra
Graziela Kunsch – Artista formada pela FAAP, em 2001, neste momento conclui seu mestrado na ECA-USP, com o Projeto Mutirão. Desde 2001 acolhe projetos de residência na casa onde mora e abre sua biblioteca pessoal para uso público. Atualmente trabalha nos projetos Arte e esfera pública [http://arte-esferapublica.org], BASE móvel [http://base-movel.org] e Fórum Permanente [http://forumpermanente.org]. Edita a revista Urbânia 3, a ser lançada em abril de 2008. Graziela foi convidada para esta mesa em função do seu envolvimento com lutas políticas e de vídeos seus que abordam situações de desobediência civil.
Paulo do Amparo - Paulo Magno Lins de Aragão, nome artístico "Paulo do Amparo" nasceu aos 19 de maio de 1975, em Salvador, Bahia, filho de Humberto Magno e Maria Luíza, artistas plásticos. Atualmente mora em Olinda, na rua do Amparo, em Olinda, onde mantém ateliê junto com a família e é querido pela comunidade. Jovem de vocação terrorista e mafiosa, ele vem desenvolvendo trabalhos no ramo da marginalidade e da anarquia niilista, como o plágio, a pirataria, o direito de mentir livremente, o alcoolismo como arte e atitude de vida. Não leu o release do projeto "arte e crime", mas está pronto pra discutir, sugerir, opinar e se contradizer sem pedir desculpas. Mais informações a seu respeito podem ser encontradas em associação com "geladeira metal", "3 et´s Records" e "Ateliê Iza do Amparo".
13/03 - MESA 4 - A TRANSGRESSÃO POSSÍVEL. O QUE SIGNIFICA TRANSGREDIR HOJE?
Com Pedro Andrade/Miguel Chaia
Mediação: Luisa Duarte
Pedro Duarte de Andrade - Graduado em Jornalismo, Mestre em Filosofia e Doutorando em Filosofia na PUC-Rio. Professor Substituto de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor da Pós-Graduação Lato Sensu da PUC-Rio - Especialização em Arte e Filosofia. Professor da Pós-Graduação Lato Sensu do Senai-Cetiqt – Especialização em Design e Moda. Bolsa de pesquisa do CNPq, pelo PIBIC, “Heidegger e a questão da arte: o lugar da reflexão estética no pensamento heideggeriano” – agosto/2001 a julho/2002; agosto/2002 a janeiro/2003 Artigos publicados“Ensaio de linguagem ou linguagem de ensaio”: revista eletrônica Viso: Cadernos de Estética Aplicada, n. 1 (http://www.revistaviso.com.br/) – abril/2007.
Miguel Chaia - Cientista social, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo, professor da Faculdade de Ciências Sociais e do Programa de Estudos Pós Graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo.Diretor-editor da Editora da PUC-SP.Coordenador e pesquisador do Núcleo
de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-SP.É autor de vários textos sobre
arte brasileira e do livro "Arte e Política", lançado em 2007 pela Azougue
Editorial, Rio de Janeiro. Principais Pesquisas: Tomie Ohtake: levantamento e catalogação da obra e do material multimídia; Arte e Política: aproximações e distanciamentos; Conflitos e guerras em William Shakespeare. Principais publicações: Mídia e Política; A Dimensão Cósmica na Arte de Tomie Ohtake; Trabalho: entre a política e o conceito; Intelectuais e Sindicalistas: a experiência do Dieese.
14/03 - MESA 5 - PIRATARIA, PLÁGIO, DIREITOS AUTORAIS: A TECNOLOGIA E DESVIOS DAS NORMAS (RE)PRODUTIVAS NO CAMPO ARTÍSTICO
Gabriel Menotti/Ronaldo Lemos/Mabuse
Mediação: Luisa Duarte
Gabriel Menotti - Bacharel em Comunicação Social pela UFES e mestre em Comunicaçao e Semiótica pela PUC-SP. Sua pesquisa de mestrado sobre salas de cinema e vjing foi premiada na edição 2006-2007 do Rumos Itaú Cultural Arte Cibernética. Atua como produtor e curador dentro do Cine Falcatrua, grupo que já realizou mostras, seminários, oficinas e campeonatos de videogame por todo o país. Também trabalha como animador, e atualmente produz seu primeiro filme.
Ronaldo Lemos – Mesmo com apenas 29 anos, já coleciona lutas sobre a democratização da tecnologia e cultura no mundo. Advogado formado pela Universidade de São Paulo e com um mestrado em Harvard, Ronaldo Lemos hoje é o representante brasileiro da nova licença para direitos autorais, o Creative Commons. Diferente da antiga licença copyright – que reserva todos os direitos ao autor – o Creative Commons trabalha por uma internet livre, aprovando previamente a reprodução, citação, distribuição ou criação de obras derivadas de qualquer propriedade intelectual, desde que citadas as fontes e não sejam utilizadas com fins comerciais.
Mabuse - designer, artista visual e músico. Fez parte do coletivo de artes visuais e música Re:combo, e participa hoje dos grupos autom.ato e calmax. Desenvolve projetos em arte e tecnologia em redes desde 1994. Junto ao Re:combo participou de exposicoes no Itau Cultural, Sonar Sound, Centro Cultural Banco do Brasil, Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhaes entre outros.
MEDIADORAS
Luisa Duarte - Nascida no Rio de Janeiro, 1979. Vive e trabalha em São Paulo. Crítica de arte e curadora independente. Em 2008 é mestranda em filosofia pela PUC-SP. É membro do grupo de críticos do Centro Cultural São Paulo. Fez parte da comissão curatorial do Programa Rumos Artes Visuais, Instituto Itaú Cultural, edição 2005/2006. Professora da graduação em artes visuais da Faculdade Santa Marcelina
Daniela Labra - Mestre em Artes. Instituto de Artes, UNICAMP. Campinas, São Paulo 2005 ; Experto em Comunicação e Artes. Universidad Complutense de Madrid. Espanha 2000 ; Bacharel em Teoria do Teatro. Escola de Artes Cênicas. UNI-RIO, Rio de Janeiro. Curadoria de exposições como: 2007 "Fabulosas Desordens", Centro Cultural da Caixa (Rio de Janeiro); "VERBO'07", evento interdisciplinar de Arte Performance, Galeria Vermelho (SP 2006); "Urban Scapes", Galeria DNA, Berlin (Alemanha); "VERBO'06", evento interdisciplinar de Arte Performance, na Galeria Vermelho (SP); "Juha Nenonen e Miklos Gáal", no Centro Mariantonia/USP (SP); "Corpo Ausente/Corpo Presente", na Galeria Mauá – Chave Mestra (RJ); "O Artista Personagem", no Centro Mariantonia, USP (SP); GearInside", Rotterdam (Holanda). Realizadora de Projetos como "Revista Número"; parte do Conselho Editorial, Centro Mariantonia/USP (SP), desde 2003); e do site www.artesquema.com
OFICINAS :
10 e 11 de março – OFICINA INTERVENÇÃO COMO DESOBEDIÊNCIA CIVIL OU VICE-VERSA, de Marcelo Cidade
Apresentar a questão de como a arte pode ser apenas uma desculpa para uma mudança social partindo de estratégias não convencionais ou politicamente corretas. A oficina pretende mostrar referências dentro da história da arte. Prática dos projetos apresentados. Discussão final.
Local: CEFAV – Centro de Artes Visuais
Endereço - Pátio de São Pedro casa 11. Santo Antonio.
Inscrições antecipadas – informações pelo 3232-2848
13 e 14 de março - OFICINA “EMANCIPAÇÃO PELA PIRATARIA” de Gabriel Menotti
Essa oficina busca imergir o público no fazer-cinema próprio do Cine Falcatrua; uma relação com a imagem que está além do ver e do produzir. Em algumas horas, os participantes serão apresentados a técnicas que possibilitam emular o circuito cinematográfico convencional usando eletrodomésticos de última geração, de softwares para trocas de arquivo ponto-a-ponto a projetores DLP
Local : CEFAV – Centro de Artes Visuais
Endereço - Pátio de São Pedro, casa 11. Santo Antonio
Inscrições antecipadas – informações pelo 3232-2848
AÇÕES PERFORMÁTICAS:
14 de março- LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO..., de Flávia Giroflay e público como artista performer.
Numa sala reservada, objetos adquiridos em feiras de troca-troca, Peixinhos e Água Fria (famosas pelo comércio de produtos roubados), serão dispostos para serem furtados. Na sala, uma câmera de circuito interno transmite e registra as imagens=roubos em um monitor disposto do lado de fora. Furtos em tempo real, um atestado de bom ladrão. Faz parte da exposição um “roubo artístico” surpresa. Rouba aqui...furta ali... é roubado...tem cem anos de perdão!
Local : IAC – Instituto de Arte Contemporânea
Horário : 22h
Endereço: Rua Benfica, 157. Benfica
Fone : 32270657
Festa de Lançamento do Projeto Ocupação IAC – VamOcupano
15 de março - “I DIDN’T DO IT FOR NOTHING” (EU NÃO FIZ ISSO PARA NADA) do coletivo sueco High Heels Sisters
Performance, 40 min. Performer: Malin Arnell
“I didn’t do it for Nothing” é um confronto e um tributo a Valerie Jean Solanas (1936-1988) – Escritora. Prostituta. Lésbica. Mendiga. Teórica Feminista. Gênio. Atirou em Andy Warhol em 1968. Apoio: IASPIS – Suécia
Local : Museu Murillo La Greca
Horário : 17h
Endereço : Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti 366, Parnamirim
Fone : 3232-4276

O cenário das artes plásticas ganha mais um espaço de discussão e reflexão sobre a prática artística contemporânea realizada no País. É o seminário "Arte e Crime: Insubordinações", que acontece entre os dias 10 e 15 deste mês, com atividades como palestras, debates, oficinas e ações performáticas divididas entre vários espaços como a Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj-Derby), Centro de Artes Visuais (CEFAV), Instituto de Arte Contemporânea (IAC) e Museu Murilo La Greca.
O seminário tem como foco obras e ações artísticas que, devido ao seu caráter crítico, político e transgressor, situam-se no limite da ilegalidade, como nudez em praça pública ou mesmo o uso de substâncias ilícitas. Um caso bastante conhecido, por exemplo, é o da artista plástica Jac Leirner, que quase foi processada, por se apropriar de lembrancinhas levadas de aviões como copos, talheres, guardanapos, cobertores, travesseiros, sacos para enjôo, fones de ouvido e cinzeiros de várias companhias aéreas em que voou. Os objetos foram matéria para a série "Corpus Delicti (1987-1993)", em que mostrava uma coleção de objetos gastos pelo uso cotidiano. Ela, inclusive, estará aqui como uma das convidadas do evento.
O seminário abordará obras e ações que terminam por legitimar atos socialmente considerados ilegais, principalmente da produção influenciada por parcela da produção de artistas das décadas de 1960 e 1970, que vem ganhando relevância desde meados de 1990. Neste cenário, inclui-se ainda a utilização das novas tecnologias para introduzir diferentes formas de circulação de conteúdo artístico, ou para se aproximarem de questões políticas e sociais, numa mescla de arte e ativismo político.
O evento proporcionará um encontro de profissionais de diversos estados do Brasil com intuito de enriquecer o debate sobre estas práticas da expressão artística. Entre os convidados, a presença do advogado Ronaldo Lemos (representante brasileiro da nova licença para direitos autorais, o Creative Commons); da pesquisadora e curadora Daniela Labra, e dos artistas plásticos Paulo Bruscky, Graziela Kunsch e Marcelo Cidade. O "Arte e Crime" se propõe ainda a não só estabelecer uma troca entre estes profissionais, como possibilitar a interação entre eles e o público local, visando abarcar pontos de vista e experiências diversas, movimentando assim a produção, formação e difusão das artes no Recife.
Nesse sentido, na mesa de debates, assuntos como direitos autorais, re-apropriações, ativismos e vandalismos sociais, plágio e pirataria estarão esquentando a discussão. Entre os temas, "Arte, substâncias e atos ilícitos"; "Transgressão possível. O que significa transgredir hoje?" e "Pirataria, plágio, direitos autorais: a tecnologia e desvios das normas (re) produtivas no campo artístico". Entre as ações de performances, a artista plástica Flávia Giroflay levará para o IAC suas peças adquiridas em feiras de troca-troca como a de Peixinhos e Água Fria (famosas pelo comércio de produtos roubados), que serão dispostos para serem furtados. Na sala, uma câmera de circuito interno transmite e registra as imagens-roubos em um monitor disposto do lado de fora. Furtos em tempo real, um atestado de bom ladrão. Faz parte da exposição um “roubo artístico” surpresa. Rouba aqui...furta ali... é roubado...tem cem anos de perdão!
O projeto Arte e Crime foi aprovado pelo Edital Conexão Contemporânea da FUNARTE/Ministério da Cultura, com patrocínio da Petrobras (por meio do edital – entre 286 projetos enviados, 36 foram aprovados. Destes, apenas quatro do Estado), com co-patrocíno da Prefeitura da Cidade do Recife, por meio da Fundação de Cultura e apoio da Fundaj e Governo do Estado de Pernambuco.
Confira a programação:
PALESTRAS E DEBATES:
Loca: Fundação Joaquim Nabuco
Horário : 19h
Endereço : Rua Henrique Dias, 609 - Derby - Recife – PE
as inscrições antecipadas podem ser feitas no 3073-6692, com Edmundo
10/ 03 - MESA 1 - ARTE E CRIME: INSUBORDINAÇÕES NOS ANOS 60 E 70
Com Cauê Alves/Paulo Bruscky
Mediação: Luisa Duarte
Cauê Alves - Formado em Filosofia pela FFLCH-USP, onde defendeu mestrado e atualmente desenvolve pesquisa de doutorando. Foi professor de filosofia e história da arte da Universidade Cidade de São Paulo (2003-2004). Atualmente é professor de história da arte do curso de arquitetura e urbanismo da Escola da Cidade e docente da Faculdade de Comunicação da FAAP. É membro do Corpo Editorial da Revista Número, curador do Clube da Gravura do Museu de Arte Moderna de São Paulo. Foi colunista da revista mensal Bien’art (2005- 2007), membro do Conselho Consultivo de Artes do MAM-SP (2005-2007), um dos curadores da exposição "MAM[na]OCA: arte brasileira do acervo do Museu de Arte Moderna de São Paulo" (2006-2007) e curador de "Quase líquido", Itaú Cultural (2008).
Paulo Bruscky - Artista voltado, desde os anos 70, para as ações da vanguarda e do experimentalismo. Realizou diversas mostras individuais no Brasil e no exterior e teve sala especial na 26º Bienal de São Paulo – São Paulo/SP – 2004. Foi curador de diversas mostras no Brasil e no exterior. Possui importante acervo documental acerca das vanguardas artísticas do pós-guerra, incluindo trabalhos originais do Grupo Fluxus e Gutai (Japão), tendo mantido correspondência regular com alguns de seus membros. Em 1981 recebe a Bolsa Guggenheim de Artes Visuais, residindo por um ano em Nova Iorque. Suas experiências com arte-correio, vídeo arte, artdoor e xerografia/faxarte são pioneiras dentro das discussões sobre a utilização de novos meios na arte brasileira.
11/03 - MESA 2 - ARTE, SUBSTÂNCIAS E ATOS ILÍCITOS
Marcelo Cidade/Jac Leirner/Moacir dos Anjos
Mediação: Daniela Labra
Jac Leirner - Formada em Licenciatura Plena/BFA em Artes Plásticas na Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo em 1984 . Foi Professora instrutora na Fundação Armando Álvares Penteado, São Paulo de 1987 à 1989 . Fez residência como : Artista convidado/visiting Fellow no University College, Oxford, Artista convidado na Ruskin School of Drawing and Fine Arts da Universidade de Oxford, 1991 . Realizou exposições individuais no Museu de Arte da Pampulha, Belo Horizonte, Brasil / 2006 ; No Centre d'Art de Saint Nazaire, Saint Nazaire, França/ 'Little Lights' 2005; No Miami Art Museum, Miami, EUA 'Adhesive 44' 2005; e No Centro Cultural Banco do Brasil, 'Jac Leirner - Ad Infinitum', Rio de Janeiro, Brasil/2002. Participou de várias coletivas como : 'Quinta Bienal do Mercosul', Porto Alegre,2005; 'Museum as Subjects', The National Museum of Art, Osaka, Japão / 2001'Documenta IX', Kassel/1992 ; 'Aperto 90’, XLVII Bienal de Veneza, 1990 . Em 2001 foi agraciada com a bolsa da Fundação John Simon Guggenheim, Nova York.
Marcelo Cidade - Nasceu em São Paulo em 1979. Vive e trabalha em São Paulo, Brasil. Formado em Artes Plásticas pela Fundação Armando Álvares Penteado. O ambiente urbano e o sistema das artes são focos dos trabalhos do artista que realiza pixações, pinturas, performances, fotos e vídeos. Em "Fuzilamento", o artista nu leu uma lista de nomes de revoluções político-sociais enquanto era alvejado por pedaços de cimento pelo público. Numa outra performance, passou num triturador de papel as páginas do livro "A arte moderna", do historiador italiano Giulio Carlo Argan. "Processos de acinzentamento" apresenta um passeio do artista por instituições de arte carregando uma mochila furada que despejava cimento por todo o percurso.
Moacir dos Anjos - Pesquisador da Fundação Joaquim Nabuco, no Recife, desde 1990. Diretor geral do Museu de Arte Moderna Aloísio Magalhães (Mamam), do Recife (2001-2006). Dentre as exposições recentes de que participou como curador incluem-se: Contraditório. Panorama da Arte Brasileira (2007), no Museu de Arte Moderna de São Paulo; Zona Franca (2007), na Bienal do Mercosul, Porto Alegre; Marcas – Efrain Almeida (2007), na Estação Pinacoteca, São Paulo; Geração da Virada (2006), no Instituto Tomie Ohtake, São Paulo (co-curador: Agnaldo Farias); Rosângela Rennó (2006), no Mamam, Recife; Babel – Cildo Meireles (2006), na Estação Pinacoteca, São Paulo e José Pedro Croft (2006), no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Tem ensaios sobre história e teoria da arte e textos críticos sobre artistas publicados em livros, catálogos e revistas. É autor de Local/Global: arte em trânsito (Rio de Janeiro: Zahar, 2005)
12/03 - MESA 3 - ATIVISMO, VANDALISMO, COLETIVOS E OCUPAÇÕES: ARTE E PERSPECTIVAS POLÍTICO-SOCIAIS
Graziela Kunsch / Paulinho do Amparo
Mediação: Daniela Labra
Graziela Kunsch – Artista formada pela FAAP, em 2001, neste momento conclui seu mestrado na ECA-USP, com o Projeto Mutirão. Desde 2001 acolhe projetos de residência na casa onde mora e abre sua biblioteca pessoal para uso público. Atualmente trabalha nos projetos Arte e esfera pública [http://arte-esferapublica.org], BASE móvel [http://base-movel.org] e Fórum Permanente [http://forumpermanente.org]. Edita a revista Urbânia 3, a ser lançada em abril de 2008. Graziela foi convidada para esta mesa em função do seu envolvimento com lutas políticas e de vídeos seus que abordam situações de desobediência civil.
Paulo do Amparo - Paulo Magno Lins de Aragão, nome artístico "Paulo do Amparo" nasceu aos 19 de maio de 1975, em Salvador, Bahia, filho de Humberto Magno e Maria Luíza, artistas plásticos. Atualmente mora em Olinda, na rua do Amparo, em Olinda, onde mantém ateliê junto com a família e é querido pela comunidade. Jovem de vocação terrorista e mafiosa, ele vem desenvolvendo trabalhos no ramo da marginalidade e da anarquia niilista, como o plágio, a pirataria, o direito de mentir livremente, o alcoolismo como arte e atitude de vida. Não leu o release do projeto "arte e crime", mas está pronto pra discutir, sugerir, opinar e se contradizer sem pedir desculpas. Mais informações a seu respeito podem ser encontradas em associação com "geladeira metal", "3 et´s Records" e "Ateliê Iza do Amparo".
13/03 - MESA 4 - A TRANSGRESSÃO POSSÍVEL. O QUE SIGNIFICA TRANSGREDIR HOJE?
Com Pedro Andrade/Miguel Chaia
Mediação: Luisa Duarte
Pedro Duarte de Andrade - Graduado em Jornalismo, Mestre em Filosofia e Doutorando em Filosofia na PUC-Rio. Professor Substituto de Filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Professor da Pós-Graduação Lato Sensu da PUC-Rio - Especialização em Arte e Filosofia. Professor da Pós-Graduação Lato Sensu do Senai-Cetiqt – Especialização em Design e Moda. Bolsa de pesquisa do CNPq, pelo PIBIC, “Heidegger e a questão da arte: o lugar da reflexão estética no pensamento heideggeriano” – agosto/2001 a julho/2002; agosto/2002 a janeiro/2003 Artigos publicados“Ensaio de linguagem ou linguagem de ensaio”: revista eletrônica Viso: Cadernos de Estética Aplicada, n. 1 (http://www.revistaviso.com.br/) – abril/2007.
Miguel Chaia - Cientista social, mestre e doutor pela Universidade de São Paulo, professor da Faculdade de Ciências Sociais e do Programa de Estudos Pós Graduados em Ciências Sociais da Pontifícia Universidade Católica de São
Paulo.Diretor-editor da Editora da PUC-SP.Coordenador e pesquisador do Núcleo
de Estudos em Arte, Mídia e Política da PUC-SP.É autor de vários textos sobre
arte brasileira e do livro "Arte e Política", lançado em 2007 pela Azougue
Editorial, Rio de Janeiro. Principais Pesquisas: Tomie Ohtake: levantamento e catalogação da obra e do material multimídia; Arte e Política: aproximações e distanciamentos; Conflitos e guerras em William Shakespeare. Principais publicações: Mídia e Política; A Dimensão Cósmica na Arte de Tomie Ohtake; Trabalho: entre a política e o conceito; Intelectuais e Sindicalistas: a experiência do Dieese.
14/03 - MESA 5 - PIRATARIA, PLÁGIO, DIREITOS AUTORAIS: A TECNOLOGIA E DESVIOS DAS NORMAS (RE)PRODUTIVAS NO CAMPO ARTÍSTICO
Gabriel Menotti/Ronaldo Lemos/Mabuse
Mediação: Luisa Duarte
Gabriel Menotti - Bacharel em Comunicação Social pela UFES e mestre em Comunicaçao e Semiótica pela PUC-SP. Sua pesquisa de mestrado sobre salas de cinema e vjing foi premiada na edição 2006-2007 do Rumos Itaú Cultural Arte Cibernética. Atua como produtor e curador dentro do Cine Falcatrua, grupo que já realizou mostras, seminários, oficinas e campeonatos de videogame por todo o país. Também trabalha como animador, e atualmente produz seu primeiro filme.
Ronaldo Lemos – Mesmo com apenas 29 anos, já coleciona lutas sobre a democratização da tecnologia e cultura no mundo. Advogado formado pela Universidade de São Paulo e com um mestrado em Harvard, Ronaldo Lemos hoje é o representante brasileiro da nova licença para direitos autorais, o Creative Commons. Diferente da antiga licença copyright – que reserva todos os direitos ao autor – o Creative Commons trabalha por uma internet livre, aprovando previamente a reprodução, citação, distribuição ou criação de obras derivadas de qualquer propriedade intelectual, desde que citadas as fontes e não sejam utilizadas com fins comerciais.
Mabuse - designer, artista visual e músico. Fez parte do coletivo de artes visuais e música Re:combo, e participa hoje dos grupos autom.ato e calmax. Desenvolve projetos em arte e tecnologia em redes desde 1994. Junto ao Re:combo participou de exposicoes no Itau Cultural, Sonar Sound, Centro Cultural Banco do Brasil, Museu de Arte Moderna Aloisio Magalhaes entre outros.
MEDIADORAS
Luisa Duarte - Nascida no Rio de Janeiro, 1979. Vive e trabalha em São Paulo. Crítica de arte e curadora independente. Em 2008 é mestranda em filosofia pela PUC-SP. É membro do grupo de críticos do Centro Cultural São Paulo. Fez parte da comissão curatorial do Programa Rumos Artes Visuais, Instituto Itaú Cultural, edição 2005/2006. Professora da graduação em artes visuais da Faculdade Santa Marcelina
Daniela Labra - Mestre em Artes. Instituto de Artes, UNICAMP. Campinas, São Paulo 2005 ; Experto em Comunicação e Artes. Universidad Complutense de Madrid. Espanha 2000 ; Bacharel em Teoria do Teatro. Escola de Artes Cênicas. UNI-RIO, Rio de Janeiro. Curadoria de exposições como: 2007 "Fabulosas Desordens", Centro Cultural da Caixa (Rio de Janeiro); "VERBO'07", evento interdisciplinar de Arte Performance, Galeria Vermelho (SP 2006); "Urban Scapes", Galeria DNA, Berlin (Alemanha); "VERBO'06", evento interdisciplinar de Arte Performance, na Galeria Vermelho (SP); "Juha Nenonen e Miklos Gáal", no Centro Mariantonia/USP (SP); "Corpo Ausente/Corpo Presente", na Galeria Mauá – Chave Mestra (RJ); "O Artista Personagem", no Centro Mariantonia, USP (SP); GearInside", Rotterdam (Holanda). Realizadora de Projetos como "Revista Número"; parte do Conselho Editorial, Centro Mariantonia/USP (SP), desde 2003); e do site www.artesquema.com
OFICINAS :
10 e 11 de março – OFICINA INTERVENÇÃO COMO DESOBEDIÊNCIA CIVIL OU VICE-VERSA, de Marcelo Cidade
Apresentar a questão de como a arte pode ser apenas uma desculpa para uma mudança social partindo de estratégias não convencionais ou politicamente corretas. A oficina pretende mostrar referências dentro da história da arte. Prática dos projetos apresentados. Discussão final.
Local: CEFAV – Centro de Artes Visuais
Endereço - Pátio de São Pedro casa 11. Santo Antonio.
Inscrições antecipadas – informações pelo 3232-2848
13 e 14 de março - OFICINA “EMANCIPAÇÃO PELA PIRATARIA” de Gabriel Menotti
Essa oficina busca imergir o público no fazer-cinema próprio do Cine Falcatrua; uma relação com a imagem que está além do ver e do produzir. Em algumas horas, os participantes serão apresentados a técnicas que possibilitam emular o circuito cinematográfico convencional usando eletrodomésticos de última geração, de softwares para trocas de arquivo ponto-a-ponto a projetores DLP
Local : CEFAV – Centro de Artes Visuais
Endereço - Pátio de São Pedro, casa 11. Santo Antonio
Inscrições antecipadas – informações pelo 3232-2848
AÇÕES PERFORMÁTICAS:
14 de março- LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO..., de Flávia Giroflay e público como artista performer.
Numa sala reservada, objetos adquiridos em feiras de troca-troca, Peixinhos e Água Fria (famosas pelo comércio de produtos roubados), serão dispostos para serem furtados. Na sala, uma câmera de circuito interno transmite e registra as imagens=roubos em um monitor disposto do lado de fora. Furtos em tempo real, um atestado de bom ladrão. Faz parte da exposição um “roubo artístico” surpresa. Rouba aqui...furta ali... é roubado...tem cem anos de perdão!
Local : IAC – Instituto de Arte Contemporânea
Horário : 22h
Endereço: Rua Benfica, 157. Benfica
Fone : 32270657
Festa de Lançamento do Projeto Ocupação IAC – VamOcupano
15 de março - “I DIDN’T DO IT FOR NOTHING” (EU NÃO FIZ ISSO PARA NADA) do coletivo sueco High Heels Sisters
Performance, 40 min. Performer: Malin Arnell
“I didn’t do it for Nothing” é um confronto e um tributo a Valerie Jean Solanas (1936-1988) – Escritora. Prostituta. Lésbica. Mendiga. Teórica Feminista. Gênio. Atirou em Andy Warhol em 1968. Apoio: IASPIS – Suécia
Local : Museu Murillo La Greca
Horário : 17h
Endereço : Rua Leonardo Bezerra Cavalcanti 366, Parnamirim
Fone : 3232-4276
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